SimCBERS: simulador operacional do satélite CBERS 3&4 desenvolvido pelo INPE-Brasil
Um simulador operacional de satélites é uma representação digital do comportamento do satélite. O simulador é organizado em um conjunto de modelos virtuais que reproduzem o funcionamento tanto dos subsistemas que compõem o satélite, como o suprimento de energia, os transmissores e receptores de sinais, entre outros, bem como o ambiente espacial e as estações terrenas com as quais o satélite se comunica. Uma função significativa do simulador de satélites é apoiar o trabalho dos engenheiros na definição de procedimentos operacionais (sequência de comandos), necessários quando ocorrem mudanças físicas no satélite, após o seu lançamento. Essas mudanças podem ser previstas, como o desgaste natural dos equipamentos com o passar do tempo, ou imprevistas, como falhas inesperadas ou o uso não-planejado de instrumentos de carga útil. Dessa forma, o simulador ajuda a testar novos procedimentos considerando as diversas restrições, e encontrar soluções sem expor o satélite a riscos, o que pode maximizar o uso dos recursos do satélite. Embora seja desenvolvido principalmente em software, ele pode incluir modelos em hardware. Sua função mínima é interpretar comandos recebidos do Sistema de Operações da Missão, executá-los considerando o contexto, e produzir respostas exatamente como as telemetrias do satélite real. Dependendo do grau de fidelidade exigido na representação dos sistemas reais, o simulador operacional pode ser o software mais complexo de uma missão espacial. Devido à sua multidisciplinaridade, exige dos desenvolvedores interagir com diversas áreas de conhecimento e domínios do satélite, das estações, dos protocolos de comunicação, do ambiente espacial, entre outras. O Simulador para os satélites CBERS 3&4 (SimCBERS) foi desenvolvido, entre 2007 e 2017, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atendendo requisitos operacionais brasileiros para essa missão, como o de facilitar a análise de situações imprevistas que pudessem ocorrer, a fim de prolongar a vida útil da missão. Um dos principais desafios no projeto do simulador SimCBERS foi criar uma especificação padronizada dos modelos dos 15 subsistemas do satélite, bem como, encontrar uma linguagem que representasse com fidelidade o comportamento dos subsistemas e que fosse compreendida pelos engenheiros das diversas disciplinas dos subsistemas, como elétrica, mecânica, matemática, computação, ótica, etc. O desenvolvimento do Simulador SimCBERS contou com apoio dos engenheiros responsáveis pelos subsistemas e dos gerentes da missão para verificação das especificações e validação dos resultados das simulações. As soluções e os desafios do SimCBERS alavancaram temas de pesquisas como, uso de técnicas de Inteligência Artificial nos modelos, interação e visualização com realidade virtual, entre outras. O desenvolvimento desse produto também possibilitou o desenvolvimento rápido do Simulador para o Satélite AMAZONIA-1, que serviu para treinar os operadores e avaliar e encontrar soluções para situações inesperadas de falhas. (Responsável: Ana Maria Ambrosio)